ILUMINISMO MODERNO - 19-22/nov

UNIDADE II -  Estamos iniciando hoje... 19/nov
  • 19/nov - Iluminismo Moderno em Descartes e Hume
  • 20/nov - Voltaire, Rousseau / Hobbes / Bacon e o despertar das Revoluções
  • 21/nov - Kant e o Iluminismo 
  • 22/nov - Montesquieu e o Governo dividido em três poderes- AVALIAÇÃO Unidade II/1
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Depois do Renascimento ter abalado o monopólio da Igreja sobre o pensamento, cultura e política europeia, o século 17 marca a vitória definitiva da razão e da ciência sobre a religião — um movimento batizado de Iluminismo. 

A Europa, que antes era um continente unificado pelo poder eclesiástico, divide-se em nações poderosas. Grã-Bretanha, França, Espanha, Portugal e Holanda consolidam seu poderio econômico com colônias ao redor do mundo e, em cada país, surge uma próspera classe média urbana.

Aos filósofos modernos coube a iniciativa de integrar o raciocínio filosófico com o científico, em alta depois que as grandes navegações — e os grandes lucros provenientes do comércio com as Índias — comprovaram noções negadas pelo poder eclesiástico, como o fato de a Terra ser redonda. 

Os britânicos Thomas Hobbes e Francis Bacon foram pioneiros nessa fase, que inaugura o período conhecido como a Idade da Razão. 

Não por acaso, vários desses filósofos são matemáticos de formação, como René Descartes, tido como o fundador do pensamento moderno. 

Para ele, o raciocínio matemático é o melhor modelo para conhecer o mundo. 
A pergunta “o que posso conhecer?” marcou a crença de que a sabedoria vem da razão, pensamento que dominaria o continente europeu no século seguinte. 

Na Grã-Bretanha, porém, uma tradição filosófica bem diferente ganhou corpo. Inspirado em Francis Bacon, John Locke chegou à conclusão de que não é a razão, mas a experiência, a fonte de conhecimento sobre o mundo.

Apesar da divisão entre o racionalismo continental e o empirismo britânico, havia algo em comum: a importância do ser humano, um ser dotado de razão e capaz de experimentar o mundo. 

Questões como a natureza do Universo, que até então dominavam o pensamento, saíram da filosofia e entraram para a ciência, a cargo de figuras como Isaac Newton. 

À filosofia, restaram perguntas de ordem epistemológica, existencial e política: 
“como podemos conhecer o que conhecemos?”, 
“qual é a essência do eu?” e 
“o que ocorrerá no mundo se a monarquia cair?”. 

Dúvidas que lançaram bases para um sério questionamento sobre o status quo e para a consolidação do ideal democrático nascente. 

A grande mudança intelectual dos modernos foi considerar as coisas externas (a natureza, a política etc) como representações ou conceitos. Isto é, tudo o que pode ser conhecido deve ser transformado pelo homem em um conceito distinto e demonstrável, permitindo ao homem interpretá-lo a seu bel prazer. 

Na convicção moderna, a razão governa emoções, vontades e define o melhor sistema político. 

Mas toda essa certeza chega ao fim com Immanuel Kant, que dá uma guinada no pensamento filosófico. Com a Crítica da Razão Pura, Kant coloca um freio no afã racionalista ao demonstrar como e por que nossa racionalidade não é absoluta (ou não pode responder a tudo)
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“Penso, logo existo”, Descartes

Conheça o pai do pensamento cartesiano.


Aos 24 anos de idade, René Descartes se alistou no Exército holandês, passando a integrar as tropas de Maurício de Nassau. Não seria sua única experiência bélica: o jovem que depois ficaria famoso por seu legado à matemática e à filosofia ainda pegou em armas pelas legiões da Bavária, e chegou a participar de uma batalha nos arredores de Praga, em 1620, durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). 

O gênio nascido na França enveredou para a carreira militar tentando provar a si mesmo que não tinha os pulmões fracos. Quando veio ao mundo, os médicos garantiram que seus dias estavam contados: a mãe morreu de tuberculose pouco após o parto, e o pequeno René dificilmente teria um destino muito diferente. 
Mas seu pai, Joachim, contratou uma ama de leite e garantiu que o filho passasse os primeiros anos em casa, longe do contato com outras crianças — e, principalmente, suas doenças.
Deu certo. Descartes chegou à idade adulta e pôde até virar soldado, mas não tinha jeito para a trincheira. Introspectivo e com gosto pela leitura, logo conseguiu ser dispensado para se dedicar em tempo integral àquilo que já vinha fazendo nas horas vagas — desenvolver ideias revolucionárias, que reuniria mais tarde no Discurso do Método, sua obra-prima que trata da prática científica, do pensamento humano e até mesmo de Deus, entre outras questões. 
Descartes ganhou fama por criar e emprestar o nome ao sistema de coordenadas cartesiano, que abriu caminho para o surgimento da geometria analítica — e dos pesadelos de muitos estudantes do ensino médio pelo mundo afora. 

Longe dos números, fundou o pensamento racionalista, influenciando gerações de estudiosos e ganhando a alcunha de pai da filosofia moderna.
Conforme a doutrina cartesiana, é a razão, e não a experiência empírica, que deve ser a fonte do conhecimento — assim, nós entendemos o que é real e o que não é por meio da dedução, e não dos cinco sentidos. 
Com a conhecida frase “penso, logo existo”, Descartes resumiu o conceito de que nossa própria existência seria comprovada pelo fato de que podemos duvidar e pensar a respeito dela. 
Por extensão, ele concluía que a existência de Deus podia ser comprovada pelo método racionalista: o simples fato de podermos ter a ideia de perfeição e de infinito, sendo imperfeitos e finitos, garantiria a verdade dessa ideia. E, se Deus existe, também existe o mundo sustentado por Ele.
Por ironia, os dias do filósofo francês foram abreviados justamente por conta de seus pulmões — quando ele acreditava já estar a salvo do problema. 
Em setembro de 1649, Descartes foi convidado a lecionar para a rainha Cristina, da Suécia, numa maratona de aulas que começavam às cinco da manhã. Abatido pelo congelante inverno escandinavo, o pensador contraiu uma pneumonia e faleceu apenas seis meses depois.


































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“O homem é o lobo do homem”, Thomas Hobbes


Hobbes viveu em tempos conturbados para a coroa de seu país, e suas ideias tinham muito a ver com o clima de incertezas que marcou aquela época. 
Nascido prematuramente após sua mãe se assustar com a notícia de que a Armada Espanhola estava a ponto de invadir a Grã-Bretanha, o pensador seguiu tendo a vida influenciada pelos acontecimentos políticos. 
Ferrenho defensor do rei e com contatos na nobreza, chegaria a se exilar em Paris quando uma guerra civil balançou as ilhas britânicas entre 1642 e 1651.
Nessa época, o movimento liberal, que defendia a redução do poder da realeza, vinha ganhando cada vez mais força. Uma série de conflitos se desenhou no horizonte, culminando anos mais tarde na Revolução Gloriosa e na assinatura da Bill of Rights, que na prática encerrou o absolutismo inglês. 
Contrariando outros filósofos políticos e o anseio revolucionário, acreditava que o homem não possui uma disposição natural para a vida em sociedade: o autor de Leviatã sustentava que a natureza humana é regida pelo egoísmo e pela autopreservação.
Esse instinto abriria caminho para a violência contra o próximo, ao mesmo tempo em que nos obrigaria a buscar uma “paz” comum que nos dê segurança, representada pelo contrato social. 

Hobbes era pessimista quanto à capacidade de mantermos essa paz sem uma liderança forte e centralizadora. Além do mais, temia que o excesso de opiniões divergentes pudesse atrapalhar a sociedade. 
Para ele, sempre haveria quem tentasse provocar conflitos para tomar o poder para si, motivo pelo qual cada homem deveria submeter sua vontade a um déspota. É enganoso pensar que o fim do absolutismo tenha derrubado as ideias de Hobbes. 
Seu pensamento era inovador: o rei não devia seu poder a um desígnio divino, mas a uma necessidade social. Mesmo se opondo à ideia da democracia, Hobbes pregava a igualdade entre os homens, e o seu líder deveria ser um representante legítimo. 
Desse modo, o respeito ao déspota só deveria existir até o momento em que ele conseguisse assegurar a paz e a prosperidade almejadas por seu povo.































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“O conhecimento é em si mesmo um poder”, Francis Bacon

Conheça os pensamentos do filósofo inglês.




A aspiração estava longe de ser modesta: Francis Bacon sonhava, simplesmente, com uma reforma completa da ciência e da filosofia que eram aceitas em seu tempo. 
Ao seu projeto de escrever um novo tratado sobre tudo o que ali estava, deu o poderoso título de Grande Instauração.
No entanto, Bacon tinha um problema sério: a falta de tempo para executar um plano tão grandioso. Sua ambição não era só intelectual, mas também política. 
Eleito deputado para o Parlamento Britânico com apenas 23 anos, o inglês se dedicou à política até pouco antes de morrer, acumulando cargos importantes sob o reinado de Jaime 1º. O pensador só se afastou da vida pública em 1621, quando já havia sido nomeado Grande Chanceler. Sua saída não foi voluntária — acusado de corrupção, foi expulso do Parlamento e perdeu todos os postos que havia conseguido até ali. 
Mesmo tendo escrito muito menos do que gostaria, Francis Bacon deixou um legado importante: sugerindo que devemos seguir um rigoroso método experimental para atingir o conhecimento, ele inaugurou a tradição empirista.
Bacon dizia que devemos avaliar as circunstâncias em que um fenômeno ocorre (ou não ocorre), detalhando seus casos particulares para relacionar um ao outro. 
Esse pensamento por “indução” levaria ao conhecimento que, para o filósofo, era o caminho para o homem passar a usar as forças da natureza a seu favor. Porque, no fim das contas, “saber é poder”.






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“Se Deus não existisse, seria necessário inventá-lo”, 

Voltaire

Conheça a vida do pensador francês.





Voltaire foi um dos impulsores do chamado “despotismo esclarecido”: sem se opor diretamente aos reis, sustentava que o monarca precisava se cercar de pensadores para governar segundo a razão. 













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“Para conhecer os homens é preciso vê-los agir”, 

Rousseau


Jean-Jacques Rousseau entrou para a história por um caminho diferente daquele que tinha imaginado. 
Aos 29 anos de idade, bateu às portas da Academia de Ciências de Paris disposto a ser reconhecido como um gênio: apresentou um inovador sistema de notação musical, que pretendia mudar para sempre a forma como as partituras eram escritas. 
A ideia naufragou quando os especialistas consideraram o método complicado demais.
O que poderia ter sido um revés definitivo acabou abrindo outra oportunidade: Rousseau impressionou Denis Diderot, um dos idealizadores da primeira Enciclopédia, que lhe encomendou alguns artigos sobre música para incluir na coleção. 
A amizade com os enciclopedistas despertaria em Rousseau o interesse pela filosofia, além de colocá-lo em contato com livros que moldaram seu pensamento, sobretudo de autores ingleses. 
Rousseau concorda com Hobbes e Locke quanto à existência de um “estado natural” para a humanidade, que teria evoluído para um estágio de civilização a partir do chamado “contrato social”. 
Mas, enquanto Hobbes escrevia que o homem é egoísta e selvagem, Rousseau defende o inverso: o homem é bom e livre por natureza, com virtudes inatas que são corrompidas pelas necessidades da vida em sociedade.
Essa ideia está explícita nas primeiras linhas de sua obra mais famosa, Do Contrato Social: “O homem nasceu livre, e por toda a parte está acorrentado. Aquele que julga ser senhor dos demais é, de todos, o maior escravo”. 

O afastamento do estado natural teria começado quando um homem decidiu tomar um pedaço de terra, criando a noção de propriedade privada. A partir daí, a única maneira de manter o controle era por meio de leis, que restringiam a liberdade natural. 
Com ideais de uma república democrática, ele propôs a substituição do Estado mantido nas mãos de reis e da Igreja por um governo formado por cidadãos. Esse grupo de eleitos também seria responsável por elaborar as leis de acordo com a “vontade geral”.
Os conceitos de Rousseau não entusiasmaram apenas os revolucionários franceses — no século seguinte, seus textos sobre injustiça, desigualdade e opressão seriam uma das principais influências do pensamento político de Karl Marx.










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“Quanto menos os homens pensam, mais eles falam”, Montesquieu

Conheça o pensador francês.


Charles-Louis Secondat podia ter ficado tranquilo em seu castelo, tomando o bom vinho da família e curtindo a herança deixada pelo tio. 
Com apenas 27 anos, o jurista era o líder dos Secondat, dono de uma verdadeira fortuna e títulos de nobreza. 
Além de presidir a Câmara de Bordeaux, o jovem também passou a ser o Barão de Montesquieu, alcunha pela qual ficou mais conhecido.

Para ele, a forma mais eficaz de evitar que o poder fosse exercido por um tirano seria diluí-lo em três braços: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Essa proposta revolucionária se tornaria a organização básica da maioria das nações contemporâneas.



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“A moral não nos ensina a sermos felizes, mas como devemos nos tornar dignos da felicidade”, 

Kant

Conheça a vida e os pensamentos do filósofo alemão.




Diferentemente dos grandes pensadores da sua época, forjados nas agitadas capitais europeias, Immanuel Kant jamais saiu de sua cidade natal. 
Sem nunca se casar ou ter filhos, ele cresceu, estudou e lecionou na próspera cidade portuária de Königsberg, então parte do reino germânico da Prússia (atual Kaliningrado, na Rússia). 
O ar cosmopolita conferido pelo porto ajudou Kant a não ficar isolado e, mesmo sem ter realizado viagens ao estrangeiro, suas ideias venceram mares e fronteiras, tornando-o famoso ainda em vida.
Kant se diferenciou dos filósofos anteriores por propor de forma convincente um modelo que combinasse o racionalismo e o empirismo, o conhecimento adquirido pela experiência. Em sua teoria do “idealismo transcendental”, ambos são necessários para compreender o mundo. 

O pensador argumentava que algo deve existir dentro do espaço e do tempo para ser percebido pelos sentidos. Ao mesmo tempo, ele diz que não seria possível estudar o espaço se antes disso já não houvesse um conhecimento prévio sobre ele. 
Tome esta revista como exemplo. Sem a “sensibilidade”, que é a capacidade de sentir as coisas e ter intuições ao longo da vida, você sequer saberia que existem objetos como revistas. 

Mas, sem o “entendimento”, que permite pensar sobre essas coisas e criar conceitos, você também não saberia que o que está tocando e vendo é — afinal — uma revista. O filósofo também se debruçou sobre como o homem deveria proceder em relação aos seus semelhantes para obter a felicidade. 
Kant postulou o que chamou de “imperativo categórico”: a necessidade de agir de modo que a ação possa se tornar o princípio de uma lei válida para qualquer pessoa.
Hoje, estudiosos costumam dividir a filosofia em antes e depois de Kant — afinal, ele tornou obsoletos vários debates mantidos até ali pelos filósofos modernos. 
O pensador fez oposição frontal aos raciocínios produzidos somente pela razão, que não questionam se a razão tem capacidade para explicar certas questões. 

Para Kant, nossa racionalidade é limitada para pensar em Deus e nas “coisas em si”, e a filosofia não deveria se dedicar a esses pontos, ao menos não da maneira como vinha fazendo. 
Kant inspiraria a prolífica geração de pensadores alemães do século 19, iniciando uma nova era de discussão na filosofia.




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